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terça-feira, 27 de julho de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A HISTÓRIA DO SURDO

A História do Surdo


A Pessoa Diferente e a Humanidade Pré-Cristã

Segundo a Teoria Evolucinista de Darwin, o homem, assim como todos os animais que vivem hoje, passou por um processo de Seleção Natural constante e severo. Desta Seleção saíam os mais aptos para viver segundo as condições de vida do meio e da época em que existiam. Era uma guerra pela sobrevivência, onde somente os "melhores" sobreviviam.

Milhares de anos após o surgimento da espécie humana, o homem já se organizava em grandes e complexas sociedades. Foi então que ele começou a dar seus primeiros passos na moral e na ética. O homem começou a filosofar, a pensar na sua existência. O mistério do universo, do insondável de sua alma e do além morte começavam a incomodar as primeiras grandes mentes humanas.

Mas apesar disso tudo, de todos estes indícios de evolução do pensamento, a prática humana sempre ficou muito aquém daquilo que se poderia esperar. O homem das primeiras grandes civilizações, não conseguia perceber, como diria Vygotsky no início deste século, que as estruturas psicológicas do ser humano são muito mais complexas do que as estruturas que se pode verificar na natureza. Desta forma, a análise do homem, de suas potencialidades e limitações, não poderia ser feita tendo-se como base simplesmente aquilo que se podia ver e analisar na natureza "concreta", visível.

Não é difícil, então, entender, como eram vistas as pessoas diferentes nestes primórdios da civilização. Eram entendidas como "NÃO HUMANAS": seres desqualificados e inferiores. A despeito da pujância de uma época, e de toda produção intelectual que possa ter existido, as pessoas diferentes, eram vistas como aquelas que possuíam defeito de nascença e que, portanto, como animais que precisam competir pela sobrevivência, eram inferiores aos outros animais homens, e deveriam ser eliminados.

Juntamente com este pensamento "prático" do "como poderia sobreviver?", as pessoas diferentes enfrentaram outro problema, pelo qual passam (e passaram) todas as minorias humanas: a sempre notável busca do homem pela existência/imposição de padrões. A padronização/normatização leva sempre a práticas discriminatórias e inferiorizantes contra aqueles que não se adequam ao padrão proposto/imposto. E isto é notório, mesmo na história recente da humanidade, podendo remontar aos nazistas da II Grande Guerra, ou a todo tipo de guerras étnicas, que marcaram o final do século XX.

No caso de pessoas diferentes, este tipo de prática discriminatória, muitas vezes traduziu-se em políticas de assassinatos de bebês e crianças portadoras de alguma característica que não as enquadrava no padrão proposto. E isto não foi "privilégio" de um único povo, nem ficou restrito a uma cultura unicamente. No entanto, esta prática não era algo que causasse escândalo em sua época ou em sua sociedade, pois fazia parte da cultura do povo. Para se entender isto, não é preciso ir muito longe, bastando lembrar que, nos Estados Unidos da América, autodenominados baluartes da liberdade mundial, somente em 1964 os negros tiveram acesso à universidade. Antes disso, creiam, esta proibição era encarada com grande naturalidade, e quase nunca foi contestada.

É fato que o homem, frente ao diferente, frente àquilo que ele não consegue entender, sente-se desconfortável e incomodado. Este "desconforto" pode gerar duas reações: tentar verdadeiramente entender o porquê da diferença, ou simplesmente eliminá-la. Não seria sério de nossa parte, dizer que o homem nunca tenha tentado entender (e aceitar) a diferença física, lingüística ou cultural. Mas também seria utopia acreditar que ele tenha sempre agido com a melhor das intenções. O fato é que, no entanto, muitas vezes estes PRÉ - conceitos geraram regras extra-oficiais de tratamento, mesmo em nível religioso, a despeito do que rogava a lei, e a despeito do que se considerava correto. Neste último sentido, diversas são as referências existentes nas bíblias cristãs e nas sagradas escrituras dos judeus, com relação ao tratamento dispensado aos doentes e às pessoas diferentes entre o povo judeu. Para eles, este tipo de pessoas eram pessoas impuras e condenadas por Deus. Ainda segundo esta teologia, Deus castigava alguém, eviando-lhe doenças ou permitindo o nascimento de descendentes com diferenças físicas.

Apesar desta prática, segundo o Talmud judeu, as pessoas incapazes seriam filhas de Deus e estariam sob sua proteção. Além disso, as leis judaicas, que serviram como base para algumas leis romanas do século VI dC, já consideravam o caso dos deficientes, conferindo-lhes direitos específicos. Isto, no entanto, não impediu a ocorrência de práticas discriminatórias.

A discriminação não passa somente por leis e direitos, e isto aconteceu no início das civilizações humanas, e acontece hoje. A discriminação é algo mais sutil, e nem sempre institucional. No caso dos surdos, pensa-se que o domínio da língua de sinais é suficiente para incluí-los na sociedade, mas a sua inclusão passa por uma transformação muito mais profunda no pensar, ver e agir de cada um. A discriminação vem do encarar o outro como alguém menor/menos capaz do que o eu. Isto, no entanto, é algo cultural, que nenhuma lei no mundo sozinha pode mudar.

Também Aristóteles emitiu opiniões com relação aos surdos e sua educação. Interpretar exatamente o que ele quis dizer não tem sido um consenso entre os estudiosos modernos. Muitos o acusam de, com suas afirmações, ter prejudicado a educação dos surdos, que, desde a sua época, viveu uma noite de 2000 anos. Outros, no entanto, dizem que isto é fruto de interpretações equivocadas do que ele quis de fato dizer. O que parece é que, para Aristóteles, a Educação somente poderia ser obtida através da audição. Desta forma, alguém que não conseguia ouvir, não seria capaz de aprender nada. Talvez ninguém consiga de fato entender o que ele quis dizer. No entanto, baseado nesta interpretação, equivocada ou não, muito se deixou de fazer com relação ao surdo e à sua educação.

texto sobre LIBRAS

Surgimento da Libras:
De Flausino ao Grupo de Pesquisas da FENEIS - RJ


Tanya Amara Felipe

O precursor nas pesquisas sobre línguas de sinais foi BULWER J. B. que editou um livro sobre a língua de sinais inglesa: Cherologic: or the natural language of the hand London R. Whitaker. Posteriormente, também na Inglaterra, em 1895, foi publicado outro livro: The sign of Language of the deaf and dumb de NEVINS, R. W.

Nos Estados Unidos a primeira publicação foi de iniciativa dos surdos, em 1848, os Annals of the Deaf que reuniu durante séculos um inventário da cultura surda americana. Ainda em 1878, foi publicado também o artigo Thinking in words and gesture, por BOOTH, E. nos Annals of the Deaf 23.

Em 1918 e 1923, foram editados respectivamente os livros The sign language: a manual of singns, de LONG, J. L., e Handbook of the sign language of the deaf, de MICHAEL, S. que reuniram sinais da língua de sinais americana (ASL).

Após um longo período sem pesquisa nessa área, talvez devido à tradição oralista, em 1960, também nos Estados Unidos, foram iniciadas as pesquisas propriamente lingüísticas sobre a ASL, com o artigo de STOKOE, W. C. Sign Language Structure: nu outline of the visual communication system of the American deaf, publicado na revista Studies in Linguistics, Occasional Papers 8.

Em 1965, STOKOE CASTERLINE e CRONEBERG publicaram A Dictionary of American Sign Language, fruto de um trabalho de equipe, formada por ouvintes e surdos, no Gallaudet College. A partir desse trabalho, na década de 70 para cá, milhares de publicações foram editadas em todo o mundo sobre as diversas línguas de sinais, mas ainda a língua mais pesquisada está sendo a ASL.

Aqui no Brasil, a primeira publicação sobre a língua de sinais brasileira data de 1875, trata-se de um livro: Iconografia dos Signaes dos Surdos-Mudos, de Flausino da Gama, um ex-aluno do Instituto de Surdos, que se tornou repetidor dessa escola, quando terminou seu período de estudo.

Quase um século depois, em 1969, com a publicação do artigo de KAKUMUSU, J. Urubu Sign Language, foi constatado que haveria pelo menos outra língua de sinais no Brasil, utilizada pelos índios Urubus-Kaapor.

Somente em 1969, por iniciativa estrangeira, foi publicado outro livro sobre a língua de sinais brasileira: Linguagem das Mãos, de DATES, E. mas, devido à influência da ASL, muitos sinais nessa obra, como também na de HOEMAN, H. et al., Linguagem de Sinais do Brasil, são sinais dessa língua. Esses dois livros foram, durante décadas, o material didático utilizado pelos instrutores surdos para ensinarem sua língua e, talvez por essas obras trazerem uma seleção de fotografias ou desenhos de sinais da LIBRAS com explicações, a metodologia que vem sendo utilizada para ensinar esta língua tem sido somente a apresentação de sinais e tradução dos mesmos.

A partir da segunda metade da década de 80, começaram as pesquisas propriamente lingüísticas sobre a Libras, desenvolvidas pelo Grupo de Estudo sobre Linguagem, Educação e Surdez- GELES, com seu primeiro boletim, editado em novembro de 1985 no Recife.

De lá para cá, várias dissertações, tese, artigos e livros vêm mostrando aspectos da LIBRAS, como as seguintes publicações:

• 1982 - NAMURA, R. A ordem sintática e a repetição. Dissertação de Mestrado. Mogi das Cruzes.

• 1984 - FERREIRA BRITO, L. Similarities and differences intwo brasilian sign language. Sign Language Studies 42: 45-56.

• 1988 - FELIPE, T A. O signo Gestual - visual e sua estrutura frasal na Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros. Dissertação de Mestrado em Lingüística, UFPE.

• 1989 - Trabalhos de Lingüística Aplicada 14, Campinas.

• 1989 - 1991, 1993, 1995, 1997, 1999-Anais do IV Encontro Nacional da NPOLL, Recife.

• 1990 - Revistas Espaço, INES e Integração. MECISEESP.

• 1991 - Anais do Congresso da ASSEL, Rio de Janeiro.

• 1992 - CALDAS, B. Narrativas em LSCB: um estudo sobre referência. Dissertação de Mestrado.

- Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Linguagem de Sinais. São Paulo: Cesário Lage.

• 1993 - Anais do Congresso Latino Americano de Bilingüismo para Surdos. Rio de Janeiro.

- FERREIRA, BRITO, L. Integração Social & Educação de Surdos, Rio de Janeiro: Ed. Babel.

- Felipe, Tanya e Grupo de Pesquisa da FENEIS-RJ, Versão Preliminar do livro LIBRAS em Contexto.

- MOURA, M. C.; LODL, A. C. B.; PEREIRA, M. C. (eds) Língua de sinais e educação do surdo. São Paulo: Sociedade

Brasileira de Neuropsícologia (Série de Neuropsicologia V. 3).

• 1994 - KARNOP, L. P Aquisição do parâmetro configuração de mão dos sinais da LIBRAS: Estudo sobre quatro crianças surdas filhas de pais surdos. Dissertação de Mestrado, Porto Alegre. PUC.

• 1995- STROBEL, K. L.; DIAS, S. M. S. (org.) Surdez: abordagem Geral. Curitiba: FENEIS. Apta Gráfica Editora.

- QUADROS, R. As categorias vazias pronominais: uma alternativa com base na LIBRAS e reflexos no processo de aquisição. Dissertação de Mestrado, Porto Alegre. PUC.

- FARIAS, C. Atos de Fala. O Pedido em Língua Brasileira de Sinais. Rio de Janeiro: UFRJ;

- FERREIRA BRITO, L. Por uma Gramática da Língua de Sinais. Rio de Janeiro, Tempo Brasil.

• 1997 – Felipe, Tanya. A. LIBRAS em Contexto - Curso Básico, Livro do Estudante. FENEIS, MEC/FNDE.

- Felipe, Tanya. A. LIBRAS em Contexto - Curso Básico, Livro do Professor. FENEIS, MEC/FNDE.

- QUADROS, R. Educação de Surdos: A Aquisição da Linguagem. Porto Alegre: Artes Médicas.

• 1998- CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D.; MACEDO, E. C. (orgs.) Manual Ilustrado de Sinais de Comunicação em Rede para Surdos, São Paulo: Instituto de Psicologia da USP.

- FELIPE, T A. A Relação Sintático-semântica dos Verbos e Seus Argumentos. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ. 1998.

- OLIVEIRA, A. A.; MACEDO, M. F. Aigo: Arte de Comunicar l: Língua de sinais, Uberlândia: AMEDUCA.

- DUARTE, A. M. Comunicando com as mãos. Teófilo Otoni, Associação dos Surdos.



Alguns outros trabalhos, geralmente desenhos de sinais e manuais com desenhos e explicações de uso têm sido feitos e utilizados por Instrutores Surdos que estão ensinando sua língua, sem orientação metodológica, mas que percebem a importância de se ter um material didático para essa atividade.



Foram feitas também fitas de vídeo sobre temas diversos: aids, drogas e poesia em Libras que podem servir também como fonte de pesquisa sobre a Libras. Contudo, podemos dizer que as pesquisas sobre a Libras ainda estão em estágio inicial, comparando-as com os estudos já realizados sobre outras línguas de sinais.



O desafio está lançado e, seguindo os passos de nosso primeiro pesquisador surdo, precisamos cada vez mais criar condições para que vários instrutores surdos possam vir a ser pesquisadores também de sua própria língua.



De Flausino ao Grupo de Pesquisa da FENEIS, os surdos estão buscando esse espaço de pesquisa e trabalho.



SUGESTÃO DE LIVROS PARA PESQUISA BIBLIOGRÁFICA.

TÍTULO AUTOR EDITORA

O Admirável Mundo dos Surdos - Novos Olhares do F Marlene Canarim Danesi EDIPUCRS

Atualidade de Educação Bilíngüe para Surdos - V.1 Carlos Skliar MEDIACAO

Atualidade de Educação Bilíngüe para Surdos - V.2 Carlos Skliar MEDIACAO

Beethoven (Para Surdos) Javier Covo Torres ANTONIO FRANCISCO

Cartas Sobre os Surdos-Mudos Diderot, Denis NOVA ALEXANDRIA

Educação de Surdos. A - A Aquisição de Linguagem Quadros. R. M. ARTMED

Educação de Surdos. A - A Caminho do Bilinguismo Nidia Regina Limeira Sa EDUFF

Linguagem Letramento na Educação de Surdos Paula Botelho AUTENTICA

Linguagem e Letramento na Educação dos Surdos - ID Paula Botelho AUTENTICA

Os Mudos Falam aos Surdos Suzanne Mollo ESTAMPA

Segredos e Silêncios na Educação dos Surdos Paula Botelho AUTENTICA

Trabalhando com Surdos e Sonoros Ana Cristina Dias Netto PANCAST

Vendo Vozes - Uma Viagem ao Mundo dos Surdos Sacks. Oliver CIA. DAS LETRAS

Construção de Sentidos na Escrita do Aluno Surdo Marilia da Piedade Marinho Silva PLEXUS

A Educação do Surdo no Brasil Magda e Campos, Edson Nascimento Soares AUTORES ASSOCIADOS

Musicalidade do Surdo - A Representação e Estigma Haguiara-Cervellini Nadir PLEXUS

O Surdo em Si Maior Cilmara Cristina Alves da Costa Levy ROCA

O Surdo - Caminhos Para Uma Nova Identidade Maria Cecilia de Moura REVINTER

Cidadania, Surdez e Linguagem - Desafios e Realida Vários PLEXUS

Conviver com a Surdez Taylor Barbara SCIPIONE

Fonoaudióloga - Surdez e Abordagem Bilíngüe Vários PLEXUS

Leitura e Surdez - Um Estudo com Adultos não Oral Crepaldi de Almeida REVINTER

Linguagem e Surdez Eulalia Fernandes ARTMED

Linguagem, Surdez e Educação Maria Cecilia Rafael de Goes AUTORES ASSOCIADOS

Surdez - Processos Educativos e Subjetividade Cristina B. F. de Lacerda LOVISE

Surdez e Bilingüismo Eulalia Fernandes MEDIAÇÃO

Surdez e Deficiência Auditiva: A Trajetória da Infância. Vera Regina J.R.M. (ORG) Fonseca CASA DO PSICÓLOGO

Surdez e os Fatores que Compõem o Método Audiovisual Montalvão Correa ATHENEU - RJ

Surdez e Significado Social Eloysia Godinho CORTEZ

A Surdez, Um Olhar Sobre as Diferenças Carlos Skliar MEDIAÇÃO

Surdez, Paixão e Dança Antonio Carlos Almeida OLHO D'ÁGUA

Enciclopédia da Língua de Sinais Brasileira - V.1 Fernando Cesar Capovilla EDUSP

Enciclopédia da Língua de Sinais Brasileira - V.2 Fernando Cesar Capovilla, Raphael, Walkiria EDUSP

Enciclopédia da Língua de Sinais Brasileira - V.3 Fernando Cesar Capovilla, Raphael, Walkiria EDUSP

Enciclopédia da Língua de Sinais Brasileira - V.4 Fernando Cesar Capovilla, Raphael, Walkiria EDUSP

Língua de Sinais Brasileira - Estudos Lingüísticos Ronice M. de e Lodernir Karnopp ARTMED

Cinderela Surda Lodernir Karnopp ULBRA

A Criança Surda - Linguagem e Cognição Numa Persp Marcia Goldfeld PLEXUS

A Máscara da Benevolência - A Comunidade Surda AM Harlan Lane INSTITUTO PIAGET

Realidade Políticas e Práticas de Educação Inclusiva Maria C.R. de Goes e Adriana L.F. de Laplane AUTORES ASSOCIADOS

Promover a Educação Inclusiva Vários INSTITUTO PIAGET

Psicologia e Direitos Humanos - Educação Inclusiva Vários CASA DO PSICÓLOGO

Inclusiva - Quem Cabe no se Todos Claudia Werneck WVA

musica borboletinha em LIBRAS